quinta-feira, 1 de abril de 2021

Você conhece ou já ouviu falar da grande importância da ilha de Tatuoca, em Belém do Pará?

 

A ilha é de pequena dimensão, situada na baía de Santo Antônio, localizada a 12 km da costa, como parte do município de Belém, mas tem importância estratégica, por ser considerada um dos pontos de captação magnética na terra. A ilha possui um observatório magnético que há́ 63 anos ajuda a medir importantes fenômenos geofísicos. Portanto, esta pequena ilha tem uma importância gigantesca para a ciência. Pois, as informações coletadas são empregadas em telecomunicações, pesquisa científica, prospecção de minerais e navegação aérea, terrestre e marítima. 


No Brasil, existem apenas duas estações magnéticas fixas. Uma em Vassouras, no centro-sul do Rio de Janeiro, fundado em 1915, administrada pelo Observatório Nacional, que foi criado em 1827 por Dom Pedro I; e a na ilha de Tatuoca, em Belém, administrada pelo CNPq, por meio do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) e agora de fato pelo Instituto de Geociências da UFPA.

Atualmente, no entanto, por conta do crescimento da cidade, as interferências já são perceptíveis nos dados. Para evitar ruídos, é preciso que carros, por exemplo, estejam a uma distância mínima de 100 metros – o que, em um centro urbano, acaba sendo quase impossível.

Em Tatuoca, por outro lado, como não há moradores, carros nem atividade alguma além da do observatório magnético, o ambiente é propício para as captações. Ainda assim, o controle é rigoroso: não se pode entrar no observatório com brincos, cintos ou qualquer item que contenha metal e possa criar interferência.

O observatório contém instrumentos que medem constantemente o campo magnético da Terra, o qual funciona como um escudo protetor para radiações solares e tempestades magnéticas. Por isso o local tem a importante função de criar modelos globais da variação do campo magnético terrestre e gerar dados essenciais para sistemas de navegação, de satélites, aviões e navios.

 


Além disso, a ilha de Tatuoca também influencia na importância do lugar, já que faz parte da história política do Pará. A ilha, ao norte da capital, foi o local do Quartel General do marechal Manuel Jorge, após a tomada de Belém pelos líderes cabanos, em 23 de agosto de 1835. De lá, o marechal evacuou Belém e bloqueou o porto da cidade.

Fontes:

Grupo de Pesquisa Geologia e Geoquímica Aplicada.

Instituição Serrapilheira.

 

 


domingo, 28 de março de 2021

Por que o canal de Suez é tão importante e como seu bloqueio afeta o mundo?

 

O Canal de Suez, no Egito, é uma das principais travessias marítimas do mundo para o transporte de mercadorias e matérias-primas.


Desde terça-feira (23.MAR.2021), a passagem pelo canal está bloqueada pelo cargueiro Ever Given, que encalhou devido a uma falha técnica ou humana e gera preocupação em todo mundo por bloquear a passagem dos demais navios.



O Ever Given, que tem 400 metros de largura (quase quatro campos de futebol), ficou atravessado diagonalmente dentro do canal que não tem mais de 200 metros de largura, bloqueando o tráfego nos dois sentidos. Foto: Reuters


O Canal de Suez é um canal navegável de 193 quilômetros de extensão localizado no Egito que conecta o Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho. Atualmente, administrada pelo governo do Egito, que no ano passado recebeu US$ 5,61 bilhões em receita de pedágios.


Inaugurada no século 19, em 1869, é uma das principais artérias econômicas do mundo, já que por ela passa mais de 12% do comércio mundial, segundo dados da Autoridade do Canal de Suez. A rota é vital para as cadeias de suprimentos no mundo todo.


Seu valor está no fato de oferecer aos navios de carga uma rota entre a Ásia, o Oriente Médio e a Europa sem ter que contornar o Cabo da Boa Esperança, no extremo sul da África. Isso permite que os navios economizem quase 9 mil quilômetros em cada sentido, reduzindo a distância em 43%, segundo dados do World Maritime Transport Council (WSC), instituição que representa as principais empresas de transporte marítimo de carga.


O Ever Given – que cumpria a rota Malásia-Holanda – colidiu com a lateral do canal na terça-feira (23) quando, de acordo com a Autoridade do Canal de Suez, foi engolfado por ventos de 40 nós e uma tempestade de areia que comprometeu a visibilidade. Em meio à luta para empurrar o navio de volta ao curso normal, dezenas de embarcações ficaram presas em um engarrafamento marítimo.

O Ever Given, de 400 metros de comprimento, ficou preso na diagonal de uma seção sul do canal, interrompendo o tráfego de navios no canal. Se demorar muito a desobstrução do canal, analistas apontam para risco de falta de produtos e impacto nos preços do petróleo e de outras commodities. 

O bloqueio interrompeu a passagem entre a Ásia e a Europa de mercadorias avaliadas em US$ 9,6 bilhões por dia, segundo a consultoria Lloyd's List Intelligence, pois quase 237 navios esperavam para passar por ali. Os prejuízos chegam a US$ 400 milhões por hora.

A imagem à esquerda mostra navios esperando para passar pelo Canal de Suez no domingo, 21 de março. A imagem à direita mostra os barcos na quinta-feira, 25 de março, dois dias depois que o Ever Given encalhou. Foto: Reuters

Com o congestionamento de navios, a normalização do tráfego pode levar semanas, já que uma travessia feita com segurança leva cerca de 15 horas. Alguns navios já cogitavam contornar o sul da África, como o Ever Greet, também da Evergreen, segundo a Lloyd's List, embora a travessia leve quase 12 dias a mais.

Dado o tráfego intenso no Canal de Suez – em tempos normais, a média é de 106 porta-contêineres e navios de cruzeiro por dia – talvez seja até surpreendente que esse tipo de incidente não aconteça com mais frequência.

A Evergreen, empresa dona do navio gigante, está enfrentando milhões de dólares em indenizações de seguros e o custo de serviços de salvamento de emergência.

domingo, 24 de janeiro de 2021

Home office: equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.

 

A pandemia transformou o mundo quanto aos hábitos e procedimentos da população. No mercado de trabalho não foi diferente. O home office (teletrabalho), tornou-se uma prática fundamental para que as empresas, escritórios, comércios, entre outros, não parassem com as suas atividades.

Muitas das empresas e escritórios já haviam implantados este modelo de trabalho, e estas apesar de estarem satisfeitas com o home office, pois vinham aumentando esta prática, e atestam até crescimento na produtividade, porém ficou evidenciado nesta pandemia que o mercado e as pessoas não estavam preparados para o trabalho no modelo home office. Pois, alguns destes profissionais já estavam acostumados com a dinâmica, porém a grande maioria que tiveram que mudar este modelo de trabalho não estavam preparados.

Muitos estudos atuais mostrando que os profissionais envolvidos podem estar tendo problemas para se desligar do trabalho, afetando sua saúde mental e física, causado pela quebra dos horários dos turnos, intermináveis e múltiplas jornadas, familiares e pets invadindo espaços e reuniões de trabalho, ou seja, não há mais descanso.

Os trabalhadores passaram a sentir uma fadiga eletrônica e, consequentemente, aumentou o estresse, o que fez este colaborador comer mais e pior. No entanto, quase um ano depois e com os surtos se multiplicando, a recomendação de priorizar o teletrabalho permanece.

Sem condições adequadas de trabalho em suas casas, no entanto, o home office tem trazido impactos na saúde e no bem-estar dos brasileiros.  Os principais sintomas físicos que se tornaram mais frequentes que o habitual são dores nas costas (58%), no pescoço (75%), fadiga ocular (55%), perda de sono (55%) e dores de cabeça (53%).


Os resultados são de estudo realizado pelo Centro de Estudos em Planejamento e Gestão de Saúde da Fundação Getulio Vargas (FGVSaúde), em parceria com o Institute of Employment Studies (IES) do Reino Unido e com o apoio técnico da empresa Sharecare.

Um capítulo à parte quanto a saúde do trabalhador estão os que sofrem com Burnout, esgotamento físico e mental por excesso de trabalho. A Síndrome de Burnout (distúrbio emocional ligado ao esgotamento profissional extremo) é um perigo real. No ano passado, a Organização Mundial da Saúde a incluiu oficialmente em seu catálogo de doenças. Segundo a Associação Nacional da Medicina do Trabalho, 30% dos brasileiros já sofrem com o problema - mesmo sem a pandemia.

A pandemia de covid-19 mudará em definitivo a forma de trabalho. A doença acelerou processos que já vinham se desenhando há anos. E nem mesmo a descoberta de uma vacina fará a sociedade voltar ao que era antes. No futuro será preciso resgatar as premissas do teletrabalho que exige uso saudável da tecnologia, o que quer dizer ter equilíbrio e evitar excessos.

Neste novo normal, o equilíbrio entre a família e o trabalho passa a ser primordial para a manutenção da saúde. A necessidade de implantação do teletrabalho tem que ter uma maior sensibilidade no equilíbrio entre família e trabalho em home office.

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Por que máscaras com válvula não são recomendadas contra covid-19?

 

Uma das discussões que mais demoraram a se resolver no início da pandemia de covid-19 girou em torno da utilidade das máscaras como medida para prevenir a disseminação do coronavírus.

No entanto, agora a Organização Mundial da Saúde (OMS) aconselha os governos a incentivar o público a usar o equipamento onde há "transmissão generalizada e o distanciamento físico é difícil". A utilização da máscara é parte de uma série de medidas de prevenção, que inclui a lavagem das mãos e o distanciamento social.

Agora, o debate em muitos lugares parece ter se movido para a eficácia de um modelo de máscara específico: os equipamentos que têm válvula.

Essas máscaras faciais funcionam ou não para retardar o avanço da pandemia? Eles nos protegem mais do que aqueles de fora? E por que geraram polêmica?

Resposta forte

Existem várias máscaras no mercado que vêm com uma válvula no centro ou em um dos lados.

Mas, independentemente do modelo e da porcentagem de partículas de cada filtro, nenhuma máscara com válvula é eficaz no contexto de uma pandemia, alertam os especialistas.

Isso porque esse tipo de máscara protege o próprio usuário, mas não as outras pessoas. O equipamento filtra as partículas do ar externo quando a pessoa inspira, mas permite que as partículas escapem pela válvula quando ela expira.

Ou seja, se a pessoa que usa a máscara estiver infectada, pode expelir gotículas com o vírus ao expirar, colocando quem estiver perto em risco.

Fernando Simón, diretor do Centro de Coordenação de Alertas e Emergências de Saúde (CCAES) e porta-voz do Ministério da Saúde da Espanha, chamou esses tipos de máscaras de "egoístas", justamente porque só protegem a pessoa que está usando o equipamento.

"O problema da válvula é que o ar exalado pela pessoa se concentra em um ponto específico. Isso pode fazer com que alguém exposto a esse ar se infecte", explica.

"Elas são 'máscaras egoístas', porque, se eu usá-las, eu me protejo mas posso expor os outros", acrescentou.

Na opinião de Ben Killingley, especialista em medicina de emergência e doenças infecciosas do University College Hospital, de Londres, embora o uso geral da máscara tenha o duplo propósito de proteger tanto o usuário quanto os outros, "as gotas que as pessoas exalam podem estar infectadas".

E desse ponto de vista, não faz nenhum sentido que as máscaras de válvula sejam usadas no contexto de proteção da comunidade.

"Na verdade, só os respiradores que se adaptam bem ao rosto têm válvula, e esses são reservados aos profissionais de saúde. O público tem acesso a eles, mas a recomendação para as pessoas é que usem máscara cirúrgica básica, e não esses tipos de máscaras que não trazem nenhum benefício adicional", diz Killingley.


Não recomendado, exceto em alguns casos

Como a proteção funciona apenas para quem usa a máscara, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), que meses atrás precederam a OSM ao recomendar o uso de máscaras, também alertou contra ouso do equipamento com válvula.

Da mesma forma, autoridades de diferentes regiões da Espanha, onde o uso de máscaras é obrigatório até na rua, proibiram este tipo de proteção em algumas circunstâncias.

E em muitas partes do mundo — incluindo algumas companhias aéreas —, pessoas que estão com as "máscaras egoístas" não podem entrar em espaços fechados com ela.

Para que são feitas as máscaras de válvula, então?

"A ideia de incluir uma válvula que se fecha quando você inspira e abre quando você expira é para tornar o equipamento mais confortável para o profissional de saúde", explica Killingley.

"Essas máscaras são mais confortáveis ​​de usar, pois permitem uma melhor circulação do ar."

Ao permitir que o ar escape, a válvula ajuda a regular a temperatura e evita que o tecido se molhe.

Por isso, elas são úteis quando se está, por exemplo, em um canteiro de obras, em uma oficina ou em qualquer lugar onde haja geração de poeira, para evitar a respiração dessas partículas.

A outra exceção é, como já mencionamos, o caso dos profissionais de saúde, que podem estar em contato com pessoas já infectadas — nesse caso, o objetivo é evitar que os profissionais se infectem.

Ainda assim, o CDC deixa claro que a equipe de hospitais não pode usá-la em ambientes que devem permanecer estéreis (como durante um procedimento invasivo ou em uma sala de cirurgia), pois a válvula "permite que o ar expirado não filtrado entre no ambiente estéril."

E, para outros procedimentos, quando os profissionais de saúde utilizam esse tipo de máscara com válvula, costumam fazer acompanhados de outra máscara protetora.

Fonte: https://www.msn.com/pt-br/saude/medicina/


sexta-feira, 14 de agosto de 2020

COVID-19: Notícias falsas sobre a pandemia já mataram mais de 800 pessoas.

 


A desinformação sempre foi perigosa para a sociedade, principalmente quando há envolvimento com a saúde pública. Com a chegada da pandemia da COVID-19, consequentemente diversas notícias falsas começaram a circular sobre a doença, possível tratamento e prevenção — e essas informações teriam custado vidas, segundo estudo recente.

A pesquisa, publicada no The American Society of Tropical Medicine and Hygiene, trouxe resultados assustadores, mostrando que cerca de 800 pessoas morreram por acreditar em informações falsas, 5.876 ficaram hospitalizadas e 60 pessoas, no Irã, acabaram com cegueira completa após ingerir metanol para se prevenir contra o novo coronavírus.

A propagação das notícias falsas e as consequências que surgem com elas pode ser chamada de infodemia, e ela está marcando presença na pandemia atual. O estudo foi realizado por uma equipe de pesquisadores de doenças infecciosas, que analisaram redes sociais e sites de notícias para monitorar como a desinformação sobre a COVID-19 estava sendo espalhada online.

Exemplos

Foram identificados, então, mais de 2.300 rumores e teorias da conspiração sobre a COVID-19, de 87 países e 25 idiomas diferentes. Segundo os cientistas, nenhuma dessas notícias era, de fato, útil em relação à doença, muitos deles ainda sendo letais. "Por exemplo, um mito popular diz que o consumo de álcool altamente concentrado poderia desinfectar o corpo e matar o vírus", diz a pesquisa.

O estudo ainda conta outros relatos, como o que aconteceu no Qatar, quando dois homens morreram após a ingestão de desinfetantes à base de álcool. Na Índia, pessoas ficaram doentes por ingerir álcool fabricado com sementes tóxicas de uma planta chamada datura, cinco delas sendo crianças. Eles haviam assistido a um vídeo que afirmava que as sementes garantiriam imunidade contra a doença.

Na Coreia do Sul, uma igreja usou um borrifador para espirrar água salgada nos fiéis, mas acabou infectando mais de 100 pessoas, uma vez que o recipiente era direcionado diretamente na boca da pessoa sem ser esterilizado na sequência.

As notícias falsas sobre a COVID-19 não são espalhadas apenas como sugestão de tratamento e cura, mas também para propagar boatos sobre a sua origem. Já foram divulgadas informações dizendo que o coronavírus é um tipo de raiva, que smartphones podem transmitir o vírus pelo ar, que ele se trata de uma arma biológica, que foi criado por Bill Gates para controle populacional, entre outras coisas.

Por fim, o estudo aponta que a infodemia está circulando livremente pela internet e é um problema que precisa ser levado com mais seriedade. Em relação à COVID-19, eles sugerem que as agências de saúde façam o rastreio dessas notícias em tempo real, engajando as comunidades locais.

Fonte: Science Alert

Crédito: canaltec


domingo, 9 de agosto de 2020

Higiene e segurança.

O grupo Pão de Açúcar está testando um novo projeto para garantir a segurança de seus clientes e funcionários – além de tentar conter a propagação do novo coronavírus. A empresa revestiu carrinhos, caixas e balcões de sua sede na capital paulista com um tecido que inibe a ação de vírus e bactérias. As superfícies foram revestidas com Amni® Virus-Bac OFF, um fio têxtil de poliamida antiviral e antibacteriano com efeito permanente desenvolvido pela empresa Rhodia. ​O projeto está em fase de teste.
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sábado, 30 de maio de 2020

Processo de revisão das Normas Regulamentadoras deve ser reavaliado.

Os debates na Comissão Tripartite Paritária Permanente e demais grupos envolvidos nas revisões/elaborações tripartites das Normas Regulamentadoras de Segurança e Saúde do Trabalho seguem por videoconferência e sem deliberações durante a pandemia da Covid-19. No entanto a reunião da CTPP que ocorreu dias 20 e 21 de maio não avançou nas discussões sobre os temas das NRs por força da ACP (Ação Civil Pública) ajuizada pelo MPT (Ministério Público do Trabalho) contra a União. “A Comissão acabou abordando o processo de elaboração/revisão, que, provavelmente, será revisto, inclusive com um novo calendário, para que se mantenha como um diálogo social em vez de judicial”, relata o representante da bancada governamental, o engenheiro de Segurança do Trabalho e auditor fiscal Luiz Carlos Lumbreras Rocha.

Segundo a ACP, as NRs têm sido modificadas com pouco diálogo com a sociedade e sem o cumprimento de requisitos estabelecidos pela legislação, como a elaboração de Análise de Impacto Regulatório, Plano de Trabalho e Plano de Implementação, previstos na Portaria nº 1.224/2018 e no artigo 5º da Lei Federal nº 13.874/2019 (Liberdade Econômica). O procurador do Trabalho Luciano Leivas, vice-coordenador da Codemat (Coordenadoria Nacional de Defesa do Meio Ambiente do Trabalho), explica que o MPT, que participa do processo de revisão das normas na condição de órgão observador, sem direito a voto, ingressou com a Ação no sentido de conformação às diretrizes de regulamentação da União.

Por sua vez, a Secretaria do Trabalho do Ministério da Economia registra em nota que “todo o previsto na Portaria nº 1.224/2018 está sendo rigorosamente observado (…)”. Refere, ainda, que “o processo de revisão está sendo conduzido em ambiente tripartite, com participação efetiva de trabalhadores e empregadores, sob o tripé de simplificação, desburocratização e harmonização, sem deixar de garantir a necessária segurança e saúde do trabalhador, com o intuito de se alcançar um sistema normativo protetivo íntegro, harmônico e moderno, efetivo na redução da quantidade de acidentes de trabalho e de doenças ocupacionais, de modo a garantir proteção e segurança jurídica para todos”.

Independentemente da ACP, as NRs, incluindo as revisadas mais recentemente, seguem valendo. Conforme decisão liminar parcial concedida no dia 22 de abril pelo juiz do trabalho Acelio Leite, da 9ª Vara do Trabalho de Brasília, a União deve cumprir, imediatamente, os requisitos procedimentais previstos nos artigos 2º, incisos II e III, 4º, § 1º e § 2º, 7º e 9º da Portaria nº 1.224. A decisão ainda determina que eventual descumprimento a partir do dia útil subsequente resultará na imposição da pena de multa de R$ 500 mil por NR editada, revogada, revisada ou alterada em desacordo com tais ditames.

Em relação ao andamento do processo, após apresentação da contestação pela União, o MPT se manifestou sobre a resposta do réu, destacando que o ritmo dos trabalhos dobrou: o intervalo médio de reuniões da CTPP passou de uma a cada 83,1 dias no período de 10 de abril de 1996 (criação da Comissão) a 11 de abril de 2019 (extinção) – total de 101 reuniões em 8.401 dias – para uma reunião a cada 43,5 dias de 30 de julho de 2019 (reinstituição da Comissão) até 16 de abril de 2020 (data da contestação) – total de seis reuniões em 261 dias.

A União chegou a entrar com mandado de segurança contra a liminar concedida pelo juiz da 9ª VT de Brasília, mas o TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 10ª Região indeferiu o pedido. Além disso, houve requerimentos de intervenção, na qualidade de assistentes litisconsorciais ativos (por ter interesse em que a sentença seja favorável ao autor), da Conascon (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Prestação de Serviços de Asseio e Conservação, Limpeza Urbana e Áreas Verdes) e do Sintrapav (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada e Afins do Estado do Pará). Por sua vez, a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) requereu sua admissão como assistente da ré. 

Fonte: Revista Proteção